DPOC e alimentação: cuidar da nutrição também faz parte do tratamento
NUTRIÇÃOPNEUMOLOGIA
5/27/20263 min read


Quando se fala em DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), muita gente pensa apenas nas bombinhas, nos remédios e no acompanhamento médico. Tudo isso é fundamental. Mas existe outro ponto muito importante no cuidado: o estado nutricional.
Em quem tem DPOC, a alimentação não é um detalhe. Ela pode influenciar a disposição, a força muscular, a respiração, a imunidade e até a capacidade de enfrentar melhor as crises e o dia a dia da doença.
Por que a nutrição é importante na DPOC
Respirar exige esforço. Em pessoas com DPOC, esse esforço pode ser maior, e o corpo pode gastar mais energia do que parece. Por isso, alguns pacientes passam a perder peso, massa muscular e força com o tempo, mesmo sem perceber logo no início.
Em outros casos, o problema pode ser o contrário: o excesso de peso também pode dificultar a respiração, aumentar o cansaço e limitar ainda mais as atividades do dia a dia.
Ou seja, tanto a desnutrição quanto o excesso de peso podem interferir negativamente no controle da DPOC. O objetivo é buscar um estado nutricional mais equilibrado, que ajude o corpo a funcionar melhor.
O que a alimentação adequada ajuda a preservar
Uma alimentação orientada e adequada pode ajudar a:
manter a força muscular
evitar perda de peso e massa magra
melhorar a energia para as atividades do dia a dia
contribuir para a imunidade
favorecer a recuperação após infecções ou exacerbações
ajudar no desempenho em programas de reabilitação pulmonar
reduzir o impacto do cansaço e da fraqueza
Isso é especialmente importante porque, na DPOC, a saúde dos músculos também faz diferença na qualidade de vida, inclusive dos músculos que participam da respiração.
Quando o peso baixo merece atenção
Algumas pessoas com DPOC emagrecem ao longo do tempo porque passam a comer menos, cansam durante as refeições ou sentem falta de apetite. Em alguns casos, o gasto energético também aumenta.
Perda de peso sem querer, roupas ficando largas, fraqueza, dificuldade para caminhar ou levantar, e sensação de “corpo fraco” são sinais que merecem atenção. Nesses casos, avaliar a nutrição é parte importante do tratamento.
Quando o excesso de peso também pode atrapalhar
O sobrepeso e a obesidade também podem trazer impacto. O excesso de peso pode aumentar o esforço para respirar, dificultar a movimentação e piorar a sensação de falta de ar, especialmente aos esforços.
Por isso, o cuidado nutricional na DPOC não significa apenas “comer mais” ou “comer menos”. Significa buscar equilíbrio, respeitando a realidade e as necessidades de cada pessoa.
Cuidados importantes com a alimentação
Algumas orientações costumam ser úteis no dia a dia:
manter uma alimentação regular e equilibrada
evitar longos períodos em jejum
priorizar alimentos com bom valor nutricional
cuidar da ingestão de proteínas, importantes para a manutenção muscular
manter boa hidratação, quando não houver restrição médica
preferir refeições que não causem desconforto excessivo
observar se refeições muito volumosas aumentam a falta de ar ou a sensação de estufamento
Para algumas pessoas, fazer refeições menores ao longo do dia pode ser mais confortável do que comer grandes volumes de uma só vez, especialmente quando a respiração já está mais limitada.
Atenção ao desconforto após comer
Em quem tem DPOC, refeições muito pesadas podem aumentar a sensação de estômago cheio e dificultar ainda mais o conforto respiratório. Quando isso acontece, pode ser útil ajustar o tamanho das porções e o ritmo da alimentação.
Também vale atenção se houver:
cansaço importante durante as refeições
perda de apetite
emagrecimento sem intenção
inchaço ou desconforto frequente após comer
dificuldade para manter uma alimentação adequada no dia a dia
Alimentação não substitui o tratamento, mas fortalece o cuidado
É importante lembrar: a alimentação não substitui as medicações, a cessação do tabagismo, as vacinas, o acompanhamento médico e a reabilitação pulmonar. Mas ela é uma parte valiosa do cuidado e pode influenciar diretamente a evolução da doença e a qualidade de vida.
Quando o estado nutricional é avaliado e acompanhado, o paciente pode ter mais chance de manter força, autonomia e melhor tolerância aos esforços.
Fonte: Savino-Lloreda P, López-Daza D, Casas-Herrera A. Medical nutrition therapy in chronic obstructive pulmonary disease: a narrative review. Nutr Clin Pract. 2025;40:793-804
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