DPOC e coração: por que a avaliação cardiológica também é importante?
Cuidar da respiração também é cuidar do coração
PNEUMOLOGIACARDIOLOGIA
Dr. Paulo José Zimermann Teixeira
5/27/20263 min read


Quando a pessoa tem DPOC, é natural pensar primeiro nos pulmões. Mas o cuidado não deve olhar apenas para a respiração. O coração e os pulmões trabalham juntos o tempo todo, e por isso a avaliação cardiológica pode ser uma parte importante do acompanhamento, mesmo quando a pessoa não sente dor no peito e nunca teve infarto.
Nem todo problema do coração causa dor no peito
Esse é um ponto muito importante. Muitas pessoas imaginam que doença cardíaca sempre provoca dor, mas isso nem sempre acontece. Em alguns casos, alterações do coração podem se manifestar de outras formas, como:
falta de ar
cansaço aos esforços
palpitações
inchaço nas pernas
tontura
redução da disposição
O desafio é que vários desses sintomas também podem aparecer na DPOC. Por isso, às vezes fica difícil saber se a piora está vindo apenas do pulmão ou se o coração também precisa ser avaliado.
DPOC e doenças do coração podem caminhar juntas
Pessoas com DPOC podem ter maior chance de apresentar também alguns problemas cardiovasculares. Isso acontece por diferentes motivos, como:
presença de fatores de risco em comum
impacto da inflamação crônica no organismo
sobrecarga causada pela dificuldade respiratória
menor tolerância ao esforço físico ao longo do tempo
Além disso, mesmo quem nunca infartou pode ter pressão alta, arritmias, insuficiência cardíaca ou outras alterações que merecem atenção.
O esforço para respirar pode repercutir no sistema cardiovascular
Na DPOC, o pulmão pode ficar menos eficiente para a troca de gases. Em alguns pacientes, isso pode aumentar a sobrecarga sobre o organismo e repercutir também na circulação e no coração, especialmente quando a doença está mais avançada ou quando há piora da oxigenação.
Isso não significa que toda pessoa com DPOC terá problema cardíaco, mas mostra por que a avaliação global é importante.
Falta de ar nem sempre vem só do pulmão
Uma das maiores razões para pedir avaliação cardiológica é justamente essa: a falta de ar pode ter mais de uma causa. Às vezes, a pessoa atribui tudo à DPOC, mas pode haver contribuição do coração, principalmente quando há:
piora recente do cansaço
limitação maior para caminhar
sensação de pior rendimento no dia a dia
inchaço
palpitações
recuperação mais lenta após esforços
Nessas situações, avaliar o coração ajuda a entender melhor o quadro e a definir o tratamento mais adequado.
A avaliação cardiológica ajuda a cuidar melhor da DPOC
Avaliar o coração não significa que exista um problema confirmado. Muitas vezes, significa apenas cuidar com mais atenção e não deixar passar algo importante. Essa avaliação pode ajudar a:
diferenciar causas da falta de ar
identificar alterações silenciosas
orientar melhor a prática de atividade física e reabilitação
reduzir riscos
organizar um tratamento mais completo e seguro
Um cuidado complementar, não um motivo para alarme
Receber orientação para passar por avaliação cardiológica não deve ser visto como motivo de medo, mas como parte de um cuidado mais amplo. Na DPOC, olhar apenas para o pulmão pode não ser suficiente. Quanto mais completo for o acompanhamento, maiores as chances de preservar qualidade de vida, segurança e bem-estar.
Quando esse cuidado merece ainda mais atenção
A avaliação costuma ser ainda mais importante quando a pessoa com DPOC apresenta:
piora da falta de ar
cansaço maior do que o habitual
inchaço nas pernas
palpitações
tontura
pressão alta
histórico familiar de doença cardiovascular
queda de rendimento nas atividades diárias
Cuidar bem é olhar o conjunto
Na DPOC, o tratamento vai além das bombinhas e dos pulmões. O acompanhamento ideal considera a pessoa como um todo. Por isso, mesmo sem dor no peito ou história de infarto, a avaliação cardiológica pode ser uma forma de proteger a saúde de maneira mais completa, acolhedora e preventiva.
Fonte: Polman, R., Hurst, J. R., Uysal, O. F., Mandal, S., Linz, D., & Simons, S. (2024). Cardiovascular disease and risk in COPD: a state of the art review. Expert Review of Cardiovascular Therapy, 22(4-5), 177-191
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