Falta de ar: por que o exercício pode ajudar mesmo em quem tem doença pulmonar crônica?

Sentir falta de ar não significa que a pessoa deve parar de se movimentar

PNEUMOLOGIA

Dr. Paulo José Zimermann Teixeira

5/27/20263 min read

Quando a falta de ar aparece, é natural pensar que o melhor caminho seja fazer menos esforço. Mas, em muitas doenças respiratórias crônicas, acontece justamente o contrário: a redução da atividade física pode piorar ainda mais o cansaço e a dispneia.

Isso acontece porque, ao evitar esforços por medo do desconforto, a pessoa pode perder condicionamento físico, força muscular e resistência. Com o tempo, tarefas simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas, tomar banho ou se vestir, passam a exigir mais do corpo e podem provocar ainda mais falta de ar.

O pulmão não é o único responsável pela sensação de cansaço

A respiração depende de um trabalho conjunto entre pulmões, coração, músculos e preparo físico. Quando o corpo está menos condicionado, ele gasta mais energia para fazer atividades simples. Os músculos se cansam antes, a frequência respiratória aumenta mais rápido e a sensação de esforço aparece com mais intensidade.

Por isso, em qualquer doença respiratória crônica, melhorar o condicionamento físico pode ajudar a:

  • reduzir a sensação de falta de ar aos esforços

  • aumentar a tolerância para caminhar e se movimentar

  • melhorar a força e a resistência muscular

  • diminuir o ciclo de medo do esforço e sedentarismo

  • trazer mais segurança, autonomia e qualidade de vida

Exercício não “cura” a doença, mas ajuda muito no controle dos sintomas

É importante entender isso com clareza: o exercício não substitui os remédios, as bombinhas, o acompanhamento médico nem outros cuidados do tratamento. Mas ele pode ser uma parte muito valiosa do cuidado.

Quando a atividade física é feita com orientação e de forma adequada, ela ajuda o corpo a funcionar melhor. A pessoa pode continuar tendo uma doença crônica, mas passa a lidar melhor com o esforço e com a própria respiração.

Em outras palavras: muitas vezes o pulmão continua com a limitação de base, mas o corpo aprende a trabalhar de forma mais eficiente.

Por que o sedentarismo piora a dispneia

A falta de ar costuma gerar um círculo vicioso:

  1. a pessoa sente falta de ar

  2. passa a evitar esforço

  3. perde condicionamento e massa muscular

  4. começa a cansar mais com menos atividade

  5. sente ainda mais falta de ar

Esse ciclo pode acontecer aos poucos, sem que a pessoa perceba. Por isso, orientar exercício faz parte de tentar quebrar esse mecanismo.

O que costuma melhorar com o treinamento

Com o tempo e com a orientação adequada, muitas pessoas percebem benefícios como:

  • caminhar com menos interrupções

  • recuperar o fôlego com mais facilidade

  • ter mais confiança para sair de casa e se movimentar

  • melhorar o sono e a disposição

  • reduzir a limitação nas atividades diárias

  • participar melhor de programas de reabilitação pulmonar

Isso vale para qualquer doença respiratória crônica?

De forma geral, sim. Embora cada doença tenha suas particularidades, a melhora do condicionamento físico costuma ser importante em diferentes situações, como asma, DPOC, bronquiectasias, doenças intersticiais pulmonares e outras condições respiratórias crônicas.

O tipo, a intensidade e a segurança do exercício devem ser definidos de forma individual. Mas o princípio é parecido: um corpo mais treinado costuma lidar melhor com o esforço e com a dispneia.

Um cuidado que precisa ser orientado

Isso não significa começar qualquer atividade de qualquer jeito. O ideal é que o exercício seja adaptado à realidade de cada pessoa, respeitando sintomas, limitações e condições clínicas. Em muitos casos, a reabilitação pulmonar é uma das melhores formas de fazer isso com segurança.

Fonte: Troosters, T., Janssens, W., Demeyer, H., & Rabinovich, R. A. (2023). Pulmonary rehabilitation and physical interventions. European Respiratory Review, 32(168), 220222.

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